vicissitudes do ser...
não queria que isto se transformasse nisso.
refraseando
e incutindo a dialéctica
que o sono permite,
vivamos pois,
ainda que na sombra,
ainda que na cave,
na habitação projectada
que mais não é.
contemplo sereno
do alto do baralho de cartas,
desmontado,
como é insurreição da estima o projecto,
como é depressão a confiança no projecto,
como é dura limalha o lápis com que projecto,
desejoso e aspirante
até à hora da dimensão,
apenas.
rasgão no papel,
e outro, e outro,
aonde é que isto pára,
não há fim.
não há força para lamber o dedo,
não há dedo para ir buscar a força,
só um corrimão que baloiça
à beira da desilusão
e de onde fitamos a áspera sensação
de amarrotados esboços,
de decalcar voltas e voltas,
vincos de projecto,
vincos em mim
de não conseguir sentir
o vento fresco e direito da planície,
o resultado,
o próprio.
E tudo isto para plantar uma árvore...
Não vejo o princípio à floresta.
Não vejo o fim à floresta.
O emaranhado é.
Tolda.
Molda
a percepção
de um caminho.
É difícil avançar pelas silvas,
os pés descalços, enrugada a vontade...
Não vejo o fim.
Não vejo...
(está escuro.
apaguem esta inércia.
apaguem a frustração.)
Enfim...
Meio aceso o candeeiro...
Temperando a noite, o amor...
Sobra lá dentro o amor
a uma luz pouco óbvia.